Comunidade Tântrica
Tantra é cima de tudo COLETIVIDADE
Manisha Gaya
9/24/20262 min read
Tantra também é comunidade!!!
Quando falamos em Tantra, é comum pensar imediatamente no indivíduo:
Meu corpo.
Meu prazer.
Minha consciência.
Minha transformação.
Mas existe uma dimensão que não pode ser esquecida:
Uma visão tântrica de mundo é COLETIVA.
O Tantra, em suas diferentes tradições, não pode ser reduzido a uma prática individual de prazer. Ele parte, em muitas de suas expressões, de uma compreensão de interdependência entre corpo, natureza, comunidade e existência.
E isso nos provoca a questionar a lógica de um mundo que nos ensina a viver cada vez mais separados.
Separados uns dos outros.
Separados da natureza.
Separados do próprio corpo.
Transformando relações, cuidado e até necessidades humanas em mercadorias.
Por isso, uma leitura contemporânea do Tantra pode dialogar com ideias de cooperação, solidariedade, autonomia e justiça social — valores que também aparecem em diferentes correntes da esquerda brasileira.
Isso não significa dizer que Tantra seja uma ideologia de esquerda. Não é. As tradições tântricas são diversas, antigas e muito anteriores às categorias políticas modernas.
Mas podemos estabelecer um diálogo entre esses mundos.
E existem experiências brasileiras que tornam essa reflexão concreta.
Os assentamentos e acampamentos ligados ao MST, por exemplo, desenvolvem formas coletivas de organização, produção, educação e tomada de decisões. O próprio movimento descreve a cooperação como uma base de organização dos assentamentos, enquanto suas estruturas de decisão buscam garantir a participação de mulheres e homens. (MST)
E a participação das mulheres é especialmente significativa: o MST relata sua atuação na produção agroecológica, na organização dos territórios, na saúde popular, na formação política e no cuidado coletivo. (MST)
Não estou dizendo que um assentamento do MST seja uma comunidade tântrica.
Estou dizendo que podemos enxergar, nessas experiências, perguntas que também interessam a uma perspectiva tântrica:
Como viver juntos?
Como compartilhar recursos?
Como cuidar sem transformar tudo em competição?
Como construir autonomia sem abandonar a comunidade?
Como garantir dignidade para todos?
Porque talvez a transformação não seja apenas: “Como eu posso viver melhor?”
Mas também: “Que mundo estamos construindo juntos?”
E é aí que espiritualidade e política podem se encontrar.
Não necessariamente para dizer em quem você deve votar, mas para lembrar que nossas escolhas políticas têm consequências concretas sobre liberdade, dignidade, direitos, saúde, educação, trabalho, território e condições de existência.
A Constituição brasileira, inclusive, estabelece como fundamentos a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, e coloca entre os objetivos da República a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a redução das desigualdades. (Planalto)
Então, quando chegar a hora de votar, talvez valha olhar para além das promessas individuais e perguntar:
Que projeto de sociedade esse candidato defende?
Quem terá liberdade?
Quem terá proteção?
Quem terá voz?
Quem terá acesso aos direitos básicos?
Como essa pessoa compreende a dignidade humana?
Que lugar ocupa a autonomia sobre o corpo?
Que sociedade ela pretende construir?
Porque, para mim, consciência não termina no próprio corpo.
Ela começa nele.
E depois se expande.
Do corpo para a relação.
Da relação para a comunidade.
Da comunidade para o mundo.
Tantra também é lembrar que não estamos separados.


